sexta-feira, 30 de julho de 2010

Loucos do Cinema: David Lynch,

por Ricardo Prado

David Keith Lynch nasceu em 20 de janeiro de 1946 na cidade de Missoula, estado de Montana, Estados Unidos, filho de um pesquisador do Departamento de Agricultura e uma professora de inglês.

Em 1966, época em que passou a estudar na Academia de Artes da Pensilvânia, começou a rodar seu primeiro curta, "Six Men Getting Sick" ("Seis Homens Vomitando", em tradução livre), que venceu o concurso anual da Academia. Mais tarde, o nome de Lynch foi selecionado para uma bolsa, que seria usada para rodar "The Alphabet" ("O Alfabeto"), sobre uma mulher (interpretada por Peggy Lynch, então esposa dele) que, antes de morrer, vê o alfabeto na forma de uma série de imagens perturbadoras. Em 1970, fez "The Grandmother" ("A Avó"), em que um menino solitário "planta" uma avó para não se sentir mais sozinho. O trabalho até então de Lynch foi muito elogiado pelos críticos que tiveram acesso a ele, citando o total controle que o jovem tinha do audiovisual, mesmo em início de carreira.

Em 1971, Lynch mudou-se para Los Angeles e começou a estudar Cinema no AFI Conservatory. Foi lá que começou a trabalhar no seu primeiro longa-metragem, "Eraserhead", através de uma bolsa de US$ 10 mil recebida pela instituição. Só que faltou dinheiro e a produção se arrastou até 1977, quando finalmente o filme foi concluído graças ao apoio da família e amigos de Lynch.

  • "Eraserhead" (1977)


Com: Jack Nance, Charlotte Stewart, Allen Joseph, Jeanne Bates

Macabro, perturbador e hipnotizante. Henry Spencer é um reservado operário de uma fábrica que se vê obrigado a casar com Mary, uma antiga namorada que se diz grávida dele. O bebê nasce uma aberração, que faz com que Mary abandone Henry para ele cuidar da "criatura" sozinho.

Com dificuldades de conseguir distribuição, "Eraserhead" tornou-se figurinha fácil em várias sessões da meia-noite durante a próxima década e rapidamente tornou-se cult. Só com este filme, já se considerava Lynch um cineasta de vanguarda no cinema da época.

Foi graças à atenção conseguida por meio de "Eraserhead" que Lynch foi chamado por Mel Brooks para dirigir um filme produzido por ele: "O Homem Elefante". Apesar de não ser um projeto seu, Lynch colocou muito de suas impressões pessoais no filme, deixando-o mais sinistro e surreal do que já era.

  • "O Homem Elefante" (1980)


Com: Anthony Hopkins, John Hurt, Anne Bancroft, John Gielgud
A história de Joseph Merrick, homem com uma deformação tão assustadora que se tornou famoso durante a era Vitoriana, na Inglaterra. 

Esta situação tendia fazer com que ele passasse toda a sua existência se exibindo em circos de variedades como um monstro, até que um médico, Frederick Treves, o descobriu e o levou para um hospital.

"O Homem Elefante" foi um sucesso de público e crítica e teve indicações ao Oscar, incluindo Melhor Direção e Roteiro Adaptado. O filme também serviu para deixar Lynch mais atraente aos investidores, já que havia se distanciado da imagem cult criada com "Eraserhead".

Até George Lucas chegou a oferecer a Lynch o cargo de diretor de "Guerra nas Estrelas - O Retorno de Jedi"! O ápice desta mudança de imagem se deu quando aceitou dirigir a ficção científica "Duna", baseada em uma série de livros de muito sucesso. O produtor fez um acordo com Lynch: ele dirigiria "Duna" e, depois, poderia conduzir outro projeto, pessoal, com o apoio do produtor. A expectativa era a de que "Duna" se tornasse o próximo "Guerra nas Estrelas", mas foi um fracasso de público e de crítica, além de gerar prejuízo ao estúdio.

  • "Duna" (1984)


Com: Francesca Annis, Leonardo Cimino, Brad Dourif, José Ferrer, Linda Hunt

Em 10.190 D.C., um duque e sua família são mandados pelo Imperador para Arrakis, um árido planeta conhecido como Duna, que tem uma matéria essencial às viagens interplanetárias: a Especiaria. O motivo desta mudança é que o Imperador planeja destruir o duque e sua família, mas seu filho escapa e procura se vingar usando a ecologia deste mundo como uma de suas armas.

Como acordo é acordo, Lynch estava livre para conduzir um projeto pessoal depois de "Duna". Foi aí que começou "Veludo Azul", que contou com os talentos de Kyle MacLachlan, Isabella Rossellini e Dennis Hopper para transformá-lo num suspense psicológico memorável. Teve menos público que "O Homem Elefante", mas "Veludo Azul" chegou ao grande público e gerou curiosidade, já que tinha diversas cenas controversas.

  • "Veludo Azul" (1986)


Com: Isabella Rossellini, Kyle MacLachlan, Dennis Hopper, Laura Dern, Hope Lange
Um rapaz simplório envolve-se em uma perigosa investigação sobre os negócios de um traficante de drogas, que mantém uma relação masoquista com uma bela cantora de cabaré.

Por "Veludo Azul", o diretor recebeu sua segunda indicação ao Oscar de Melhor Direção. Mais do que isso, o filme trazia uma série de elementos que iriam se tornar características do cinema de Lynch.

No final dos anos 80, o diretor conheceu o produtor Mark Frost, com quem criou o projeto de uma série para televisão chamada "Twin Peaks". No papel principal da série, o protagonista de "Veludo Azul": Kyle MacLachlan. Lynch dirigiu os primeiros seis episódios da série, que acabou se tornando um verdadeiro fenômeno. A produção cresceu, e aos poucos Lynch foi se afastado da direção, dando lugar a outros diretores. Ele até passou a fazer pequenas participações como ator, no papel do chefe do personagem de MacLachlan, o agente surdo Gordon Cole.

  • "Twin Peaks" (TV, 1990-1991)


Com: Kyle MacLachlan, Michael Ontkean, Ray Wise, Sheryl Lee, Russ Tamblyn, Mädchen Amick, Dana Ashbrook, Richard Beymer, Lara Flynn Boyle, Sherilyn Fenn, Warren Frost, Peggy Lipton, James Marshall, Everett McGill, Jack Nance, Joan Chen, Kimmy Robertson, Michael Horse, Piper Laurie, Harry Goaz, Eric DaRe, Don S. Davis

A jovem Laura Palmer é encontrada morta na cidadezinha americana de Twin Peaks, próxima à fronteira com o Canadá. Dale Cooper, um agente do FBI se junta a Harry Truman, o xerife local, na investigação do crime e acaba mergulhando numa complexa teia de relações amorosas e intrigas secretas entre os habitantes do lugarejo.

Lynch batia de frente em diversas ocasiões com a rede de tevê americana ABC, que produzia "Twin Peaks". A rede queria que o assassino de Laura Palmer fosse revelado logo, pois temiam perder a audiência. Isso aconteceu no meio da segunda temporada, e a equipe se complicou para manter "Twin Peaks" interessante após essa revelação. A audiência foi caindo e a série foi cancelada no final desta mesma temporada, deixando diversas histórias em aberto, incluindo a do próprio agente Cooper.

Depois de uma passagem pelo teatro musical, onde fez "Industrial Symphony No. 1: The Dream of the Broken hearted" com Laura Dern, Nicolas Cage e Michael J. Anderson, Lynch voltou a se focar em cinema. O amigo Monty Montgomery ofereceu a Lynch o projeto de adaptar o livro "Wild at Heart: The Story of Sailor and Lula", de Barry Gifford, que resultou em "Coração Selvagem", uma mistura de filme policial com road movie. A crítica praticamente ignorou o filme à época de seu lançamento, mas "Coração Selvagem" surpreendeu ao levar a Palma de Ouro em Cannes em 1990.

  • "Coração Selvagem" (1990)


Com: Nicolas Cage, Laura Dern, Diane Ladd, Willem Dafoe, Harry Dean Stanton, Isabella Rossellini, Crispin Glover

Lula Pace Fortune e seu amante, Sailor Ripley, fogem pelas estradas que unem a Carolina do Norte ao Texas. Ela tem 20 anos e se descreve como mais quente que o asfalto da Georgia. Ele é um jovem violento que estava preso por matar um homem e acaba de ganhar liberdade condicional. Ambos têm um passado conturbado, o que torna mais intensa a relação entre os dois.

Desta vez sem o produtor Mark Frost, Lynch decidiu resgatar a história de "Twin Peaks", que terminou de forma melancólica, em todos os sentidos. "Twin Peaks - Os Últimos Dias de Laura Palmer" é, na verdade, uma crônica do que aconteceu antes do assassinato da jovem, incluindo algumas cenas do passado do agente Cooper e Gordon Cole. O filme foi um total fracasso de bilheteria.

  • "Twin Peaks - Os Últimos Dias de Laura Palmer" (1992)


Com: Sheryl Lee, Ray Wise, Mädchen Amick, Dana Ashbrook, Phoebe Augustine, David Bowie, Pamela Gidley, Kyle MacLachlan, David Lynch, Kiefer Sutherland, Chris Isaak

Um agente do FBI desaparece enquanto investigava um assassinato. Pouco longe dali, na cidadezinha de Twin Peaks, a jovem Laura Palmer vive um cotidiano conturbado que logo terá fim com seu assassinato.

Lynch flertou com o cinema noir em "A Estrada Perdida", que realizou em 1997. O filme não fez muito sucesso com o público. O que fez mais sucesso, aliás, foi a trilha sonora, que incluía David Bowie, Marilyn Manson, Rammstein, Nine Inch Nails e The Smashing Pumpkins.

  • "A Estrada Perdida" (1997)


Com: Bill Pullman, Patricia Arquette, Balthazar Getty, Robert Blake, Robert Loggia, Lisa Boyle, Marilyn Mason

O saxofonista Fred desconfia da fidelidade de sua mulher, Renée, mas tem sua atenção desviada quando começa a receber misteriosas fitas de vídeo. A partir delas, nota que o interior de sua casa está sendo observado. Quando sua esposa é assassinada, ele é acusado e preso. De repente, não está mais atrás das grades, mas transformou-se no jovem mecânico Pete, que começa a ter um caso com Alice, uma mulher muito parecida com a de Fred.

O que veio em seguida surpreendeu muitos que acompanhavam o trabalho de Lynch. Em parceria com a Walt Disney Pictures, realizou "História Real", um conto humano sobre um homem em busca de reconciliação com o irmão. Mesmo completamente diferente de tudo que Lynch já fez até o momento, o diretor garantiu que teve total controle sobre a produção.

  • "História Real" (1999)


Com: Richard Farnsworth, Sissy Spacek, Harry Dean Stanton, Jane Galloway Heitz, Everett McGill
Um relato humano de um aposentado de 73 anos que resolve atravessar estados para fazer as pazes com o irmão. O detalhe: a viagem foi feita em um cortador de grama, já que ele não tinha carro nem dinheiro.

Ainda em 1999, Lynch voltou à ABC com uma nova ideia para série de tevê. Começou a filmar um episódio piloto de duras horas de duração, mas divergências acabaram parando a produção indefinidamente. O diretor, então, optou por transformar aquele piloto em um longa-metragem. Nascia aí "Cidade dos Sonhos", que foi completado graças à produção francesa da StudioCanal. Com uma narrativa não linear e surrealista, o filme se remetia aos clássicos mais antigos de Lynch. Foi um sucesso de público e crítica, além de render a ele o prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes.

  • "Cidade dos Sonhos" (2001)


Com: Justin Theroux, Naomi Watts, Laura Harring, Ann Miller, Dan Hedaya, Mark Pellegrino, Robert Forster

Uma bela mulher trafega com sua limusine pela famosa via Mulholland Drive. Ela está bem no centro da mira de um atirador, mas, antes que ele puxe o gatilho, a moça sofre um acidente e perde a memória. Machucada, ela rasteja até um edifício residencial administrado por Coco. Lá mora também Betty, uma jovem recém-chegada na cidade que quer ser atriz. Nesse novo ambiente, a bela desmemoriada passa a ser chamada de Rita, numa referência à Rita Hayworth. Betty resolve ajudar a nova amiga a redescobrir sua identidade.

Depois de alguns anos em que se dedicou a projetos menores na Internet, Lynch rodou "Império dos Sonhos", totalmente em vídeo digital. O filme invocava com ainda mais força as marcas consagradas do diretor, além de ter mais de três horas de duração.

  • "Império dos Sonhos" (2006)


Com: Laura Dern, Jeremy Irons, Justin Theroux, Naomi Watts, Bellina Logan, Scott Coffey, Peter J. Lucas, Ian Abercrombie, Justin Theroux, Neil Dickson, Diane Ladd, William H. Macy
A atriz Nikki Grace prepara-se para interpretar um novo personagem e acaba se apaixonando por seu colega de filmagem. Ela percebe que sua vida está se tornando semelhante à ficção na qual está atuando. Nikki, atormentada e apaixonada, vive uma situação de mistério e vai enlouquecendo lentamente.

Em 2008, Lynch deu início a um projeto relativamente ambicioso, que consistia em entrevistar diversos anônimos pelos Estados Unidos, fazendo um verdadeiro mapa do que pensa o americano sobre o significado da vida. O "Interview Project" pode ser acessado pelo site oficial do diretor, e já conta com mais de cem depoimentos.

Atualmente, Lynch tem dois trabalhos em cinema encaminhados. E ambos diferem bastante de tudo que ele já fez. O primeiro é a animação "Snootworld"; já o segundo é um documentário sobre Maharishi Mahesh Yogi, um guru de meditação transcendental.


  • Curiosidades


Do casamento com Peggy Lynch nasceu Jennifer Chambers Lynch. Ela também é diretora de cinema, e seu trabalho mais conhecido é o terror "Encaixotando Helena".

Lynch pratica e é um dos mais ilustres promotores da meditação transcendental, e ele chegou a vir ao Brasil em 2008 para lançar um livro sobre o assunto.

O site oficial do diretor (www.davidlynch.com) tem uma área para membros onde alguns curtas dele podem ser baixados, como "Dumbland" e "Rabbits".

Lynch cita como grandes ídolos do cinema Federico Fellini, Ingmar Bergman, Orson Welles, Akira Kurosawa, Stanley Kubrick, Jacques Tati, e Alejandro Jodorowsky. Também cita muita admiração pelo escritor Franz Kafka.

O diretor é um grande fã de "O Mágico de Oz", e diversos filmes dele têm referências à história. Em "Coração Selvagem" elas são mais claras.
Lynch cita como influência o trabalho dos cineastas Werner Herzog, Alfred Hitchcock, Billy Wilder e Luis Buñuel.

Kubrick se dizia um grande admirador do trabalho de Lynch. Inclusive, citou "Eraserhead" como uma de suas inspirações para elaborar sua visão de "O Iluminado".

Na juventude, Lynch trabalhou como segurança durante a cerimônia de posse de John F. Kennedy, em 1961.

Os curtas feitos na juventude pelo diretor fazem parte de uma coletânea em DVD chamada "The Short Films of David Lynch". Infelizmente, não foi lançada no Brasil.

Até hoje Lynch não se preocupou em explicar os seus filmes. Para ele, o importante é cada espectador entender da sua maneira.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Dia Internacional da Animação recebe produções até o dia 30 de julho

logo_diaEstão abertas até o dia 30 de julho as inscrições de curtas-metragens para o Dia Internacional da Animação 2010.

No Brasil, o evento é organizado pela Associação Brasileira de Cinema de Animação (ABCA) e será realizado

em mais de 400 cidades no dia 28 de outubro. Não há restrições quanto ao ano da produção do curta-metragem.

Não é permitida a participação de filmes que já tenham participado da pré-seleção nas edições anteriores.

Memorial da América Latina abre inscrições para os cursos de extensão universitária de cinema

Por meio de uma seleção de filmes dos novos cinemas dos países latino-americanos, o curso visa a proporcionar reflexões sobre contextos históricos e sociais relacionados à produção do cinema no continente, contextualizando, por meio da análise de filmes, as especificidades da linguagem cinematográfica.

Docentes: Ismail Xavier, Rubens Machado, Yanet Aguilera e Daniela Gillone
  
Datas: 18 e 25 de agosto; 01, 08, 15, 22 e 29 de setembro; 06, 13 e 20 de outubro de 2010 (quartas, das 19 às 22 h)

Carga horária: 30 horas-aula

7ª Mostra Cinema Popular Brasileiro abre inscrições de filmes

Estão abertas as inscrições de filmes para a 7ª Mostra Cinema Popular Brasileiro. A Mostra acontece nos distritos de Lumiar e São Pedro da Serra desde 2004 e já exibiu filmes consagrados da cinematografia nacional, levando cinema para as respectivas comunidades, que até então não tinham nenhum contato com a sétima arte.

 O tema da Mostra Cinema Popular Brasileiro deste ano é o som no cinema: Cinema para os Ouvidos. O tema privilegia filmes que abordam a sonoridade, a musicalidade, a trilha sonora e os aspectos do som na narração da história fílmica.

O tema da Mostra Cinema Popular Brasileiro deste ano é o som no cinema: Cinema para os Ouvidos. O tema privilegia filmes que abordam a sonoridade, a musicalidade, a trilha sonora e os aspectos do som na narração da história fílmica.
  
Todos os filmes enviados para a Mostra farão parte do acervo da Videoteca Cinema Popular Brasileiro e terão a oportunidade de serem apresentados em diversos circuitos alternativos de exibição em todo o Brasil.

  A 7ª Mostra Cinema Popular Brasileiro é produzida pela Associação Cultural Cinema Popular Brasileiro em co-produção com o Cineclube Lumiar e conta, desde 2005, com o apoio da Ong Educari e do Espaço Cultural São Pedro da Serra.

terça-feira, 27 de julho de 2010

PARA CURTIR MAIS CURTAS 4, por Edison Delmiro

ANIME-SE! É TEMPO DE ANIMA MUNDI

Esta semana acontece em São Paulo a 18ª. edição do Festival Internacional de Animação do Brasil. Na programação do Anima Mundi, 452 filmes de curta e longa-metragem, distribuídos nos 5 dias do evento. De quarta-feira (28/7) a domingo (1/8) o melhor da animação mundial estará disponível ao grande público no Centro Cultural Banco do Brasil (auditório e cinema) e no Memorial da América Latina (galeria e salas 1, 2 e 3).

E como a categoria animação é perfeita para materializar ótimas histórias de curta duração, eu sugiro aos apreciadores deste formato, que aproveitem a ocasião deste acontecimento anual e único no país – com importância reconhecida no mundo inteiro – como um incentivo (ou pretexto) para conhecer verdadeiras obras-primas realizadas em várias partes do mundo.

Com diferentes técnicas de dar vida a traços, formas e objetos, o curta-metragem de animação tem algumas qualidades que lhe são exclusivas: os roteiros podem ser muito mais ousados e ambiciosos, já que a representação de todos os detalhes da trama é viável com talento e tecnologia; em narrativas com menos realismo há mais espaço para manifestações artísticas e consequentemente belos visuais com chances até para uma manifestação de vanguarda; e geralmente a trilha sonora se destaca já que o ambiente dos personagens naturalmente irreais se sustenta no “sólido” tripé de vozes, ruídos e música para existir no contexto.

Quer saciar o seu olhar exigente e ansioso por curtas de animação com imagens inusitadas e enredos surpreendentes, premiados dentro e fora do país? Vá algum dia ao Festival Anima Mundi e também a uma boa locadora de vídeo para conhecer a série de DVDs que os organizadores do evento já lançaram. São seis volumes, que também estão disponíveis no site do Festival (www.animamundi.com.br), embora o primeiro seja bem complicado de se encontrar, pois está esgotado há um tempão. Aqui vai a relação do que há disponível em DVD no Brasil com a chancela de qualidade do Anima Mundi.

  • O MELHOR DE ANIMA MUNDI VOL. 1


Monalisa Descend a Staircase / De Joan Gratz, EUA, 1992
Oscar de Melhor Curta de Animação, 1993


Bob’s Birthday / De Alison Snowden & David Fine, Canadá, 1993
Oscar de Melhor Curta de Animação, 1995

Crac! / De Frédéric Back, Canadá, 1981
Oscar de Melhor Curta de Animação, 1982

Le Moine ET Le Poisson / De Michael Dudok de Wit, França, 1995
Indicação ao Oscar de Melhor Curta de Animação, 1995

The Big Snit / De Richard Condie, Canadá, 1985
lndicação ao Oscar de Melhor Curta de Animação, 1986

Juke Bar / De Martin Barcy, Canadá, 1990
Indicação para o Oscar de Melhor Curta de Animação, 1991

Oh What a Night / De Paul Driessen, Holanda, 1982
Melhor Filme, Festival Internacional de Ottawa – Canadá, 1982

How to Kiss / De Bill Plympton, EUA, 1989
Melhor Curta, Festival de Aspen – EUA, 1989

Time for Love / De Carlos Saldanha, EUA, 1994
Melhor Filme Artístico, Festival de Computação Gráfica de Genebra – Suíça, 1994

  • O MELHOR DE ANIMA MUNDI VOL. 2


Espantalho / De Alê Abreu, Brasil, 1998
Melhor Filme Brasileiro, Anima Mundi – Brasil, 1998

Father and Daughter / De Michael Dudok de Wit, Holanda, 2000
Oscar de Melhor Curta de Animação

Media / De Pavel Koutsky, República Tcheca, 2000
Urso de Prata, Festival de Berlim - Alemanha.

Gagarin / De Alexey Kharitidy, Rússia, 1993
Indicado ao Oscar de Melhor Curta de Animação

Repete / De Michaela Pavlátová, República Tcheca, 1995
Prêmio do Júri, Festival de Annecy - França.

Busby / De Anna Henckel, Alemanha, 1997
Melhor Primeiro Filme, Festival de Hiroshima - Japão.

Ring of Fire / De Andreas Hykade, Alemanha, 2000
Melhor Filme, Festival de Ottawa - Canadá

The Art of Survival / De Cassidy J. Curtis, EUA, 1998
Melhor Filme Cômico, Festival de Ottawa - Canadá

T.R.A.N.S.I.T.  / De  Piet Kroon, Reino Unido, 1997
Melhor Filme, World Animation Celebration, Los Angeles - EUA

  • O MELHOR DE ANIMA MUNDI VOL. 3


Das Rad / De Chris Stenner, Arvid Uibel e Heidi Wittlinger, Alemanha, 2001

The God / De Konstantin Bronzit, Rússia, 2003
Guard Dog / De Bill Plympton, EUA, 2004

How to Cope With Death / De Ignacio Ferreras, Reino Unido, 2002

The Old Man and The Sea / De Alexander Petrov, Canadá, 1999

Strange Invaders / De- Cordell Barker, Canadá, 2002

Little Things / De Daniel Greeves, Reino Unido, 2004

When the Day Breaks / De Wendy Tilby e Amanda Forbis, Canadá, 1999

In-Saeng (Life) / De Jun-Ki Kim, Coréia do Sul, 2004

Os Irmãos Willians / De Ricardo Dantas, Brasil, 2000

  • O MELHOR DE ANIMA MUNDI VOL. 4


Ryan / De Chris Landreth, Canadá, 2004
Oscar de Melhor Curta de Animação – EUA, 2005

A Suspeita / De José Miguel Ribeiro, Portugal, 1999
Melhor Filme, Anima Mundi – Brasil, 2000

Morir de Amor / De Gil Alkabetz, Alemanha, 2004
Melhor Filme em Cinanima – Portugal, 2004

Atama Yama / De Koji Yamamura, Japão, 2002
Grande Prêmio Annecy – França, 2003

Aos Pedaços / De Guilherme Marcondes, Brasil, 2004
Menção Honrosa no Prix Ars Eletrônica – Áustria, 2005

Kutoja / De Laura Neuvonen, Finlândia, 2005
Prêmio de Público em Fantoche – Suíça, 2005

Overtime / De Oury Atlan, Thibaut Berland e Damien Ferrié, França, 2004
Melhor Filme de Estudante em Annecy – França, 2005

Qualquer Nota / De Marcelo Ribeiro Mourão, Brasil, 2005
Seleção Oficial em Zagreb – Croácia, 2004

Reci, Reci, Reci / De Michaela Pavlátová, República Tcheca, 1991
Indicado ao Oscar de Melhor Curta de Animação – EUA, 1993

Walking / De Ryan Larkin, Canadá, 1968
Indicado ao Oscar de Melhor Curta de Animação – EUA, 1970

  • O MELHOR DE ANIMA MUNDI VOL. 5


Apple on The Tree / De Astrid Rieger, Zeljko Vidovic, Alemanha, 2006
Prêmio de Público no Festival Interfilm – Alemanha, 2006

Feet of Song / De Erika Russel, Reino Unido, 1989
Melhor Filme pelo British Film Institute - Reino Unido, 1989

Flatlife / De Jonas Geirnaert, Bélgica, 2004
Prêmio do Júri para Melhor Curta-Metragem Festival de Cannes – França, 2004

Genre / De Don Hertzfeldt, Estados Unidos, 1996
Prêmio Prata para Animação no Festival Internacional de Cinema de Chicago – EUA, 1996

Gopher Broke / De Jeff Fowler, Estados Unidos, 2005
Indicado ao Oscar de Melhor Curta de Animação – EUA, 2005

História Trágica com final Feliz / De Regina Pessoa, Canadá – França - Portugal, 2005
Grande Prêmio no Festival de Annecy – França, 2006

Le Portefeuille / De Vincent Bierrewaerts, França – Bélgica, 2003
Melhor Animação no Festival de Clermont-Ferrand – França, 2004

The Fan and The Flower / De Bill Plympton, Estados Unidos, 2005
Melhor Curta Animado do Annie Awards – EUA, 2006

Tyger / De Guilherme Marcondes, Brasil, 2006
Melhor Filme em Anima Mundi – Brasil, 2006

Viaje a Marte / De Juan Pablo Zaramelha, Argentina, 2004
Júri Popular no Festival de Cinema Infantil de Nova Iorque – EUA, 2007

  • O MELHOR DE ANIMA MUNDI VOL. 6


A Gentlemen’s Duel / De Francisco Ruiz, Sean McNally, Estados Unidos, 2006
Prêmio de Melhor Curta em Animação - Mundos Digitale, Espanha, 2007

Moya Lyubov / De Alexander Petrov, Rússia, 2006
Grande Prêmio - 12º Open Russian Festival for Animated Film, Rússia, 2007

La Funambola / De Roberto Catani, Itália, 2002
Menção Especial do Júri por suas Qualidades Artísticas - Annecy 
International Animation Festival – França, 2002

Lapsus / De Juan Pablo Zaramella, Argentina, 2007
Melhor Curta-Metragem - Prêmio do Júri Popular - Anima Mundi, Brasil, 2007

Même Les Pigeons Vont au Paradis / De Samuel Tourneux, França, 2007
Prêmio Junior de Melhor curta-Metragem - Annecy Animation Festival, França, 2007

Mr. Schwartz, Mr. Hazen & Mr. Horlocker / De Stefan Müller, Alemanha, 2006
2º Prêmio CinéFondation - Festival de Cannes, França, 2006

Pax / De Paulo Munhoz, Brasil, 2005
Melhor Animação Brasileira pelo Júri Popular - Anima Mundi, Brasil, 2006

Vida Maria / De Márcio Ramos, Brasil, 2006
Prêmio Especial da Direção - Anima Mundi, Brasil, 2007


*Edison Delmiro, professor de Roteiro Audiovisual e Teoria do Cinema, Doutor em Comunicação e Semiótica, um dos curadores da mostra Olhar Brasilis de 2007 e 2008 do Festival Curta Santos.

domingo, 25 de julho de 2010

Curta Santos prorroga inscrições até a primeira semana de agosto

As inscrições para a 8ª edição do Curta Santos - Festival Santista de Curtas Metragens foram prorrogadas. Realizadores de todo País têm até 5 de agosto para inscrever seus trabalhos em quatro mostras competitivas: Olhar Caiçara Universitário, Olhar Caiçara Independente, Videoclipe Caiçara e Videoclipe Brasilis, pelo site .

A busca constante pela consolidação de um polo audiovisual regional deve continuar e, portanto a oitava edição tratará da vida e da obra do eterno diretor deste festival, Toninho Dantas. Para isso, estão sendo preparadas diversas novidades e surpresas com o objetivo de retratar este contexto. A maior parte delas serão divulgadas ao longo desta penúltima semana de inscrições.

A mostra Olhar Caiçara subdivide-se em duas categorias: a Universitária, que atende a demanda dos trabalhos acadêmicos e de conclusão de curso produzidos pelas universidades do litoral paulista e a Independente, que procura valorizar os trabalhos produzidos na mesma região sem apoio de grandes produtoras.

Em 2010, a mostra Olhar Caiçara Independente divide o prêmio de melhor curta-metragem em dois segmentos: fictício e documental. Serão entregues ainda troféus para melhor ator, atriz, direção, roteiro, montagem, som e fotografia. Já a mostra Olhar Caiçara Universitária premiará melhor curta-metragem, pesquisa e direção.


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Entre as mostras competitivas, o Curta Santos conta ainda com a Videoclipe Caiçara e Videoclipe Brasilis, que premiam respectivamente melhor clipe regional e melhor clipe nacional, além de melhor direção e performance.

As novidades não param por aí. Depois de quase um mês de preparo, um novo sistema de comunicação de mídias integradas para o festival será lançado. Todas as informações relacionadas ao evento já circulam simultaneamente, em tempo real e de maneira integrada em três mídias diferente:  blog, twitter e youtube. A partir de agosto teremos no ar o Portal Curta Santos, com notícias deste e de outros festivais, além do mundo da cultura em geral e da sétima arte.

O festival acredita que a integração dos sistemas possa promover uma interação maior entre o festival e o seu público. O objetivo é que por meio dessas novas ferramentas possam se estabelecer vínculos mais fortes com as pessoas que estão em torno do Curta Santos.


sexta-feira, 23 de julho de 2010

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Mais antigo festival de cinema do Paraná recebe inscrições para nova edição


Estão abertas as inscrições para a 12ª Mostra Londrina de Cinema festival mais antigo do Paraná e que neste ano será realizado de 1º a 5 de dezembro com o apoio da  Lei Rouanet. Podem ser inscritos filmes produzidos a partir de janeiro de 2009, em qualquer suporte, com duração de até 24min59s.

Na Competitiva Nacional de Curtas, os selecionados concorrerão a um prêmio de R$ 5 mil para o Melhor Filme segundo o Júri Oficial, além do Troféu Udihara em sete categorias. A ficha de inscrição e o regulamento podem ser encontrados no site oficial da mostra. As inscrições podem ser feitas até 4 de setembro de 2010. A seleção será anunciada no dia 19 de outubro. A 12a Mostra Londrina de Cinema é uma realização da Kinoarte (Instituto de
Cinema e Vídeo de Londrina).

FestCine Goiânia abre inscrições para ‘Mostras Competitivas’

Desde segunda-feira, dia 19, estão abertas as inscrições para a 6ª edição do ‘FestCine Goiânia - Festival de Cinema Brasileiro de Goiânia’, a ser realizado entre os dias 3 e 10 de novembro deste ano, com premiação total de R$ 248 mil.

As inscrições, que vão até o dia 31 de agosto poderão ser realizadas para as Mostras Competitivas de longas de ficção ou documentário, de curtas goianos, vídeos universitários e caseiros, em 35mm ou digital.

As inscrições poderão ser feitas através do site do festival

Festival agrade o apoio do jornalista e historiador Paulo Matos

[perfil+blog+pai.JPG]Morreu, na tarde desta segunda-feira, aos 57 anos, o jornalista e historiador Paulo Matos. Ele estava internado desde a última terça-feira no Hospital Beneficência Portuguesa, em Santos, em decorrência de complicações de um transplante de fígado. O jornalista era casado e tinha três filhos.

Nascido em 9 de outubro de 1952, José Paulo de Oliveira Matos era também bacharel em Direito e pós-graduado em História. Escreveu livros sobre transporte coletivo, sindicalismo e tinha títulos não publicados, como As Autonomias Nacionais da Santos Libertária.

Matos se destacou pelo combate à ditadura militar (1964-1985). Foi detido em 1968, aos 16 anos, sob acusação de tramar um atentado contra o então governador, Abreu Sodré. Em 1984, foi processado com base na Lei de Segurança Nacional por se manifestar contra o aumento da tarifa de ônibus.

O Curta Santos, ao longo destes oito anos, agradece o apoio do jornalista e manifesta as condolências à família.

terça-feira, 20 de julho de 2010

PARA CURTIR MAIS CURTAS 3,por Edison Delmiro

Laboratório para experiências audiovisuais


Muitos realizadores vêem no filme de curta-metragem um convite à experimentação, a oportunidade de praticar uma narrativa menos convencional. Já que não há mesmo muito tempo para a construção de personagens e situações multifacetadas, o recorte temporal da vida num curta pode ser apresentado ao público de formas unisitadas, mesmo correndo o risco de se destacar mais do que o conteúdo... o que acontece bastante neste tipo de filme. Para quem gosta de enredos contados de modo diferenciado, com um pé na tradição e outro na videoarte, eu recomendo os curtas-metragens da coletânea carioca que há no DVD Sete Curtas Premiados.

        Com a imagem dividida em split-screen, um homem e uma mulher se (des)encontram durante um telefonema no filme de Cavi Borges, ENGANO. Tudo é contado simultaneamente em um plano-sequência para ele e outro para ela: tem um potencial romance no diálogo e uma dose de suspense na expectativa do encontro. Desta seleção, é o meu favorito.

        Em AMOLADOR, o diretor Abelardo de Carvalho faz um minucioso exercício estético e propõe uma versão dos fatos que precederam em dez minutos uma famosa fotografia de Marc Ferrez na Rio de Janeiro de 1895. SETE MINUTOS é o título e a duração de um tenso acerto de contas entre dois traficantes de drogas em mais um complexo plano-sequência, dirigido por Cavi Borges, Júlio Pecly e Paulo Silva. E a vida na favela também é cenário determinante na história de amor de NEGUINHO E KIKA, de Luciano Vidigal, com um olhar alternativo sobre um casal adolescente que representa a esperança de paz no meio da adversidade social.

        O gênero musical marca presença com NEGUINHO BABYLON, de Emílio Domingos e Cavi Borges, e traz mais uma chance do diretor praticar plano-sequência, acompanhando os caminhos de um rastafári pela cidade. O sexto filme, PICOLÉ, PINTINHO E PIPA, segue a trilha de um grupo de meninos por becos e ruelas de um morro, onde o cineasta Gustavo Melo constrói belíssimas imagens. Os garotos estão ansiosos para encontrar objetos velhos e levá-los ao carro de trocas, onde eles podem conseguir picolés refrescantes, pintinhos vivos e pipas para empinar.

        Todos estes filmes já citados podem ser vistos também online no Porta Curtas, mas o DVD ainda tem a exclusividade do irreverente e transgressor O FILME DO FILME ROUBADO DO ROUBO DA LOJA DE FILME, dirigido Marcelo Yuka (ex-integrante da banda O Rappa), Julio Pecly e Paulo Silva, o trio da Companhia Brasileira de Cinema Barato.

Engano 
De Cavi Borges, Ficção (2008) 11 min.

Amolador
De Abelardo de Carvalho, Ficção (2008) 10 min.

Sete Minutos
De Cavi Borges, Júlio Pecly e Paulo Silva, Ficção (2007) 7 min.

Neguinho e Kika
De Luciano Vidigal, Ficção (2005) 18 min.

Pretinho Babylon
De Cavi Borges e Emílio Domingos, Ficção (2007) 17 min.

Picolé, Pintinho e Pipa
De Gustavo Melo, Ficção (2006) 15 min.

O Filme do Filme Roubado do Roubo da Loja de Filme
De Marcelo Yuka, Julio Pecly e Paulo Silva, Ficção (2006) 7 min.




*EDISON DELMIRO, professor de Roteiro Audiovisual e Teoria do Cinema, Doutor em Comunicação e Semiótica, um dos curadores da mostra Olhar Brasilis de 2007 e 2008 do Festival Curta Santos.